domingo, 31 de julho de 2011

O que pensar da concorrência?

Existe uma concorrência leal, no qual há um ganha-ganha, onde se agrega negócios, no qual o aumento da demanda faz com que os recursos naturais sejam potencializados, preservando o trabalho digno e o preço justo (fair trade). Contudo, vários empresários, ao copiar um modelo de sucesso - e não inovar, criar, inventar - dissipa os esforços e ações.

Associações e cooperativas, por exemplo, são organizações de ganha-ganha. Um conglomerado de artesões que fazem a mesma coisa num mesmo espaço, brigam pelo preço e, claro, pela má qualidade. Incentiva a concorrência desleal e o desleixo. Quem ganha com isso? Ninguém: o consumidor adquire uma peça de má qualidade, os artesões não lucram e ficam sem dinheiro para investir, a natureza ficam com extrativismo predatório e não tem tempo para se regenerar.

A concorrência leal busca sempre diferenciação. Atende todos os gostos, inova. O artista é valorizado, especializa-se, transforma e evolui pois dá tempo para isso. Engana-se a pessoa que acredita que ter concorrentes no mesmo local faz bem pois gera concorrência. De duas uma: o gera um oligopólio e uma "falsa concorrência", ou gera um monopólio, onde geralmente o mais "forte" usurpa e age de forma negativa. É um perde-perde. Para isso existe o "fair trade", o preço justo, o diferencial.

O que podemos prever num mundo de recursos naturais cada vez mais escassos, uma população que cresce a cada dia? Desigualdade social. O que pensar da concorrência? é Investir, é inovar, é aperfeiçoar, é influir positivamente na sociedade. Nunca o oligopólio ou o monopólio.

A Arte do "Feito a Mão"

Aperfeiçoar sempre. O acabamento é tudo; transforma os produtos brutos em obras de arte que ultrapassam as fronteiras, divulgam os biomas brasileiros - Cerrado, Caatinga, Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal -, mostra a sociedade a importância de se ter políticas eficazes para o extrativismo, e demonstram que as pessoas fazem parte do ecosistema.

Assim, as peças feitas a mão, de extrativismo sustentável, são de suma importância para a vida das pessoas. Muitos consumidores já conhecem os produtos mas o conceito dos produtos da sociobiodiversidade ainda é pouco explorado, inclusie pela mídia.

Incentivar o consumo consciente é uma alternativa de preservação, no qual a sociedade busca peças artesanais cujos artistas:

  • preocupam-se com o controle da utilização dos recursos de biodiversidade,
  • conhecem as populações que vivem desses recursos.
A forma de processamento, dos tempos e custos naturais, dos envolvidos na cadeia produtiva, dos registros, dos contratos, da qualidade dos produtos e da dignidade das famílias extrativistas são prerequisitos de uma produção sustentável

Se de um lado o Brasil e sua sociobiodiversidade impulsiona negócios e promove a manutenção e a valorização de seus biomas, por outro lado as práticas e saberes asseguram direitos decorrentes, gera renda e promove a melhoria de qualidade de vida do brasileiro local, enraizado em sua cultura e tradição, em seu tempo e espaço.

Somente assim se podee afirmar que uma peça nunca é igual a outra, que a arte não se molda mas se aperfeiçoa, que a riqueza cultural está inserida nela e que de fato preserva-se o meio ambiente.

A arte do "feito a mão" nunca ficou tão evidente. Nunca foi tão essencial para nossa sobrevivência assim!